A semana passada ficou marcada pela visita do Papa ao Brasil, com a canonização de um Santo de Santa (o nome é Santo Antônio de Sant’Anna Galvão) e uma enxurrada de discursos moralistas e conservadores. Em suma ele falou contra:
- aborto
- sexo antes do casamento
- “ficar”
- drogas
- bebidas
- capitalismo
- socialismo
- teologia da libertação
A cada aparição o Papa adicionava algo a seu discurso e o ápice foi negar que a Igreja Católica tenha forçado os indíegenas que viviam nas Américas a adotarem o catolicismo. Como não podemos acusá-lo de ignorância…só nos resta denunciar tanto cinismo! É uma “heresia” tão grande com a história que me fez lembrar da “Lei Contra o Cristianismo”, proposta por Nietzsche em 1888:

Lei contra o cristianismo
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso
calendário).
Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o adre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral ública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes iberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. onseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo.
Artigo Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser emolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a osteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas.
Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à ida sexual, qualquer tentativa de maculá−la através do conceito de “impureza” é o maior pecado ontra o Espírito Santo da
Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado a sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, ogá−lo−emos em
qualquer espécie de deserto.
Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as alavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para riminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
Nietzsche – O Anticristo
A Lei é proposta por Nietzsche no final do livro:
O Anticristo: Ensaio de Uma Crítica do Cristianismo.
Quem desejar pode baixar a obra integral no website www.ateus.net.
Quem quiser ver um pouco da “visao distorcida” de Ratzinger sobre Nietzsche pode ler “Deus caritas est” (Deus é amor), que é a primeira Encíclica de Bento XI, onde comentou a seguinte frase de Nietzsche:
“o cristianismo perverteu Eros; este não morreu, mas degenerou-se, tornou-se vício”
Segundo o Papa esta frase expressa a idéia de que, com seu preceitos, a Igreja “transforma em amargo o mais bonito da vida e cola cartazes de proibição onde a alegria predisposta pelo Criador nos oferece uma felicidade que nos faz antegostar algo do Divino”. Papa critica a visao classica que os gregos tinham de Eros e afirma que:
“o eros ébrio e indisciplinado não é elevação em direção ao Divino, mas queda e degradação do homem. Fica, assim, evidente que o eros requer disciplina e purificação para dar ao homem não o prazer de um instante, mas um modo de fazê-lo antegostar, de certa maneira, o mais alto de sua existência, essa felicidade à que tende todo ser humano”.
Segundo sua concepção não se trata de “envenenar” o eros, mas de “saná-lo” para que ele alcance sua verdadeira grandeza, afirma o papa.
Sanar o Eros ?
Por Jupter….
Haja paciencia!